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Primeiros Articulados no BrasilO primeiro articulado montado no Brasil foi sobre um chassi Scania B 111, com rótula construida pela Recrusul e carroceria CAIO Gabriela, possivelmente o que foi apresentado no congresso da ANTP em 1978 no Rio de Janeiro (RJ). Em relação aos dois protótipos Volvo com carroceria Caio Gabriela, um deles foi para Vitória (ES) quando eu trabalhava lá, e quem articulou a demonstração de dois dias fui eu, pois havia dado a idéia para o pessoal da Aguia Branca (ES) de instalar uma concessionária Volvo, só que eles desistiram porque já tinham uma da Mercedes. A demonstração foi um vexame pois saimos para passear na praia do Camburi no domingo pela manhã e um dos pneus furou, e com todo o impacto que estava causando aquele “monstro vermelhão” tivemos que colocar regressar rapidamente para a garagem em Cariacica (ES). Estes dois articulados depois foram “exportados”: um deles para o Peru (cheguei até a ver uma foto lá em Lima quando visitei a extinta Enatru, uma espécie de CMTC local). O outro foi para o México. Quanto a este até foi interessante uma coincidência que houve com relação a um comentário que fiz num relatório sobre o problema de insolação excessiva que aumentava muito o calor dentro das carrocerias Caio Gabriela com os vidros adicionais embaixo dos pára-brisas (a exemplo dos Striulli GranLuce de motor traseiro como o Magirus). Um comentário muito parecido a este foi feito pelos mexicanos em sua análise, a qual tive acesso pois na época em que regressei a Curitiba e comecei a trabalhar no IPPUC tínhamos muito contato e trabalhos junto com a Volvo. O que passou com a Scania é que simplesmente adaptou o chassi B111 que já fabricava para não ficar atrás da irmã sueca mais nova que estava entrando no mercado, mas isto faz crer que foi o primeiro articulado a ser construído no Brasil, só que não era o projeto de um chassi articulado. A Sulamericana (PR) também teve destes Scanias articulados a exemplo da Viação Garcia, mas ambas acabaram cortando o reboque pois para viagens rodoviárias quem ia atrás “pulava como cabrito”. Já quanto a Volvo articulados rodoviários a Catarinense (SC) comprou duas unidades sob Nielson que tiveram os prefixos 811 e 8112, o que indica que isto foi em 1981, mas que ficaram rodando na linha Blumenau a Camboriú até aproximadamente 1994 ou 1995. A Passaro Marrom (SP) também teve um ou dois articulados para provas , não sei se urbanos ou rodoviários. Quanto a entrada dos carros urbanos em operação em Curitiba (PR) isto aconteceu em 1980 com dois carros Caio Gabriela para a Transporte Coletivo Glória, com prefixos iniciais 0-40 e 0-41. Na Auto Viação Redentor os articulados foram o 3-72 e 0 3-73. Lembro também que um motoristas chegou a contar 334 passageiros transportados na viagem das 22h30min da noite quando terminavam as aulas, saindo da Praça Rui Barbosa para o Terminal do Pinheirinho. Só que estes carros não foram os primeiros Volvo brasileiros a operar em Curitiba (PR) e sim um B-58 simples, também com carroceria Caio Gabriela e que teve o numero 3-71, também na Auto Viação Redentor. Este carro tinha, a exemplo dos Mercedes Benz 355/5 da época, duas portas, a frontal e a central, esta utilizada para o desembarque. Pois bem, nos Mercedes da época não era possível colocar a porta de desembarque depois do eixo traseiro, e então deviam ficar no centro, seguindo o que foi implantado desde os primeiros expresso Cummins. Só que havia um problema: os passageiros se amontoavam junto a porta central para desembarcar e na parte traseira se formava uma espécie de bolha, pois ninguém conseguia passar e assim o aproveitamento nas horas pico era muito prejudicado. Pois bem, no caso do Volvo 3-71, como não tinha motor traseiro a plataforma desde a porta central era mais extensa e esta bolha era ainda maior, e logicamente se perdia muito da capacidade de transporte do carro. Foi em função destas observações que quando fomos implantar o eixo Oeste do sistema expresso de Curitiba (PR), até a Campina do Siqueria e depois até Campo Comprido, eu sugeri que construíssem os 8 primeiros Torino expresso [Sanrtemo II] da Auto Viação Curitiba com três portas. Os prefixos de tais carros iam do 8.80 ao 8.87. Isto quase me custou a cabeça, e o meu chefe na época quase me despediu. Mas funcionou tão bem que depois ele mesmo decidiu adotar três portas nos OF, (no que então eu era contra). A idéia vingou e passou a ser padrão, idéia depois adotada por outras cidades. Três portas não era nenhuma novidade pois na década de 50 houveram muitos urbanos em São Paulo com esta configuração, só que a novidade assustava a muitos, inclusive aos empresários. Ainda em 1980 me encarregaram de coordenar os testes com dois Mercedes Benz Monoblocos O-305 importados da Alemanha na cidade de Curitiba (PR). Um deles era rígido, e com exceção da cor e da tração mecânica tinha as mesmas características de um trólebus que andou sendo testado na CMTC em São Paulo (SP) um pouco antes, no qual eu tive oportunidade de andar fazendo uma viagem na linha Aclimação pois por um golpe de sorte o vi na Praça da Sé quando ai passava. Interessante é que estes dois O-305 (rígidos eram low entry, mas também possuíam uma porta frontal e a outra no meio, portanto já eram praticamente low floor) da porta central para trás havia uma rampa e no caso do que foi testado em Curitiba (PR), acontecia que a bolha não se formava, o que me fez chegar a conclusão de que realmente uma terceira porta atrás melhoraria em muito a distribuição da carga e o aproveitamento melhor do veiculo. O outro O-305 era articulado,também era low floor e tinha a mesma rampa no reboque depois da terceira porta, mas nunca funcionou bem, pois teve muitos problemas mecânicos, principalmente com os freios do terceiro eixo que era de tração devido a ter motor traseiro. Imagino que isto passou porque ficou muito tempo parado no porto e houve alguma espécie de oxidação dos componentes de frenagem. Passei um aperto danado as 7 da noite no terminal da Praça Rui Barbosa, justamente no primeiro dia de operação; muita gente que já tinha feito fila para embarcar e tivemos que retirá-la quase a força de dentro do carro, pois havia estourado um pneu pelo esquentamento do eixo traseiro (tração) e o carro não saia do lugar, também porque havia um sensor de peso e a porta (a exemplo do sistema anjo da guarda) não fechava e imobilizava o veiculo. Bom, coincidiu que este teste foi na época em que passaram a rodar os quatro primeiros Volvo Caio (que já citei) na Auto Viação Redentor (PR) e na Transporte Coletivo Glória (PR), mas coincidiu também com a entrada em operação dos 10 primeiros articulados Volvo B-58 com carroceria Marcopolo Torino [Sanremo II] na Auto Viação Nossa Senhora do Carmo, no mesmo eixo Boqueirão onde os Mercedes começaram a ser testados. Devido aos testes com estes Mercedes foram desenvolvidos subsídios para o lançamento do O370 algum tempo depois, pois o O364 tinha sido lançado em 78. Para complementar, realmente Curitiba (PR) foi a cidade em que começaram a operar comercialmente 14 Volvo B-58 articulados no ano de 1980. Goiânia comprou também articulados Scania B 111 para operar no eixo Anhanguera, imagino eu que também no mesmo ano e até a Viação Santa Luzia de São José do Rio Preto também comprou um modelo idêntico aos de Goiânia, que eram Ciferal e tinham um parabrisa inteiriço e a cara totalmente reta, dando até a impressão que era totalmente vertical. Quanto aos rodoviários, houve um Nielson Diplomata, também B-58 de janelas inclinadas, com chassi importado da Suécia que foi encarroçado pela Nielson e era o protótipo de demonstração da Volvo e rodou por todo o Brasil em várias empresas. Já o primeiro chassi brasileiro rodoviário Volvo comum foi encarroçado sobre Marcopolo III e, depois de demonstrado, foi adquirido pela Transpen (SP) e roda até hoje [2005] com carroceria Comil Gaslleggiante. Quanto ao primeiro chassi construído e adquirido no Brasil foi mesmo o carro 151 da Viação Graciosa (PR), também encarroçado sobre Marcopolo III.
Texto
de Raul Hedeke com edição de Osvaldo Teodoro Born |