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O RALO GROSSO DAS ESTRADAS
BRASILEIRAS Por Áurea Rangel O
Brasil perde R$ 1,5 bilhão por ano por não conservar suas estradas. A
afirmação é do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes.
Um dinheiro gordo que é desperdiçado, em parte, apenas pelo fato de as
estradas não contarem, por exemplo, com serviços eficientes de pesagem
de caminhões. Medida simples que garantiria menos perdas e mais segurança
no transporte viário do País. Os recursos arrecadados pela Contribuição
de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) é outro triste exemplo de
desperdício. Somadas a contribuição recolhida pelas concessionárias mais
os impostos o valor chega a R$ 5,6 bilhões, montante que deveria ter por
destino a conservação das estradas brasileiras. Mas a verba encalhou no
meio do caminho e não chegou a seu destino. Para
tentar contornar o problema e descobrir os gargalos do setor - que incluem
até operações tapa-buraco executadas sem critérios - o Tribunal de Contas
realizou reuniões nos dias 28 e 29 de novembro, em Brasília. Estes encontros
contaram com pesos-pesados da gestão federal: a ministra da Casa Civil,
Dilma Rouseff, os ministros dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e da
Cidades, Márcio Fortes de Almeida, além do presidente da Infraero, José
Carlos Pereira, e o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres,
José Alexandre Resende E
é mesmo mais do que hora de se pensar no assunto com seriedade. O Brasil
possui cerca de 1,7 milhão de quilômetros de estradas. Malha rodoviária
que só perde, em extensão, para a dos Estados Unidos. Como diria o jornalista
Alexandre Garcia, "quem faz circular riqueza pela buraqueira
que são as estradas nacionais é herói". Porque estamos falando
de um País com 8,5 milhões de quilômetros quadrados que não pode contar
nem com suas estradas e nem com ferroviárias eficientes porque estas,
simplesmente, também não existem. Não
é necessário nenhum artifício técnico mais elaborado para entender que
nem mesmo os investimentos largamente anunciados pelo DNIT com o Pró-sinal
- que visa sinalizar 48 mil quilômetros de rodovias federais, em um total
de R$ 278 milhões - darão conta de resolver o problema viário do País,
se os investimentos não forem feitos com critérios. Mas segundo o coordenador
geral de operações rodoviárias do DNIT, Luiz Cláudio dos Santos Varejão,
vivemos novos tempos. A preocupação com a melhoria de materiais e com
a tecnologia empregada nestas soluções hoje são realidade para o órgão,
segundo Varejão. O Pró-sinal foi o primeiro projeto do DNIT que incluiu
em edital critérios de qualidade para as empresas licitantes. Um progresso
e tanto para o setor que trabalha ferozmente no sentido de disciplinar
os órgãos públicos e concessionárias sobre as diferenças técnicas de materiais,
durabilidade e segurança que oferecem aos sistema e aos usuários. O ministro dos Transportes, Paulo Passos, e o diretor-geral do DNIT, Mauro Barbosa da Silva, asseguraram que após as obras deste ano, não serão necessárias novas operações em 2007: as intervenções de conservação não desencadearão um novo programa emergencial nas proporções do que está sendo executado este ano. E isto realmente é necessário para marcharmos adiante. Porque se de tempos em tempos as estradas precisarem partir do zero para voltarem a ter condições de tráfego, os investimentos no setor entrarão por um buraco-negro. Para que a situação não seja recorrente, a idéia de soluções competentes são pré-requisitos para que estas empreitadas não tenham uma pífia vida útil, inviabilizando qualquer possibilidade de uma boa relação custo-benefício e promovendo a desconfiança sobre as verdadeiras intenções da obra. Se o investimento tem por único objetivo respeitar a vida dos usuários e das cargas que necessitam destes caminhos, a hora de começar a fazer bem feito é agora. E já estamos ao menos meio século atrasados. * Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de materiais e diretora-executiva da Hot Line. |