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Espaço Deonibus
    Transporte essencial – bilhete para o futuro

Por ANTONIO FERRO

Foto: Carrilbus
         

         Especialistas, usuários, transportadores e interessados formam um grupo em total harmonia quando o assunto destaca o termo mobilidade. Este espaço já vem há tempos sendo dedicado a chamar a atenção de todos os envolvidos no desenvolvimento das cidades. Como já se conhece, o veículo automotor tem absoluta prevalência nos modos de deslocamento dos municípios. Diga-se automotor o veículo carro/automóvel, que transporta na maioria dos casos apenas uma pessoa, que entope as artérias urbanas e estimula nossos governantes a construírem mais e mais vias, em detrimento ao uso público e coletivo.         

O grupo acima citado preocupa-se em saber qual será o destino das médias e grandes cidades se não houver melhorias no deslocamento das pessoas, onde o transporte coletivo seja imperativo diante o individual, com todas as características que proporcionem os desejos dos usuários: rapidez, acessibilidade e conforto, três itens de fundamental importância se há perspectivas quanto ao deslocamento das pessoas nas cidades. 

Investir em um bom sistema de transporte público beneficia todos os cidadãos, suas vantagens são sentidas em menor congestionamento, baixo índice de emissões gasosas que poluem o ar e na melhoria da segurança em vias urbanas.Nossa situação não permite que o transporte de massa seja privilegiado por sistemas operados por metrôs, com custos elevados e que exigem maior complexidade em sua implantação. O transporte realizado por ônibus apresenta-se como paradigma flexível, com ônus bem menor e total acessibilidade, desde que atenda certos requisitos para o sucesso em sua operação: vias exclusivas, abundância de informações, trajetos variados e veículos dotados de algumas tecnologias com prerrogativas aos usuários: piso baixo (facilidade de embarque e desembarque), ar condicionado, câmbio automático, suspensão pneumática, utilização de combustíveis alternativos (gás, eletricidade), entre outros itens.  

Quando citei as médias e grandes cidades é bom lembrar que os pequenos municípios também têm o dever de fazer a lição de casa quando se orienta para o tema transporte, correndo o risco de apresentarem os mesmos erros que acompanham a falta de planejamento dos municípios.  

Uma excelente proposta revela-se no projeto TEU (Transporte Expresso Urbano), que traz em seu conteúdo um corredor metropolitano ligando os dois principais municípios da Grande São Paulo, composto por pista exclusiva e veículos (ônibus) dotados de alta tecnologia (é de se esperar que o diesel ceda espaço ao hidrogênio, gás natural ou a eletricidade). A idéia principal é valorizar o ambiente adjacente, estimular as viagens coletivas com rapidez e conforto e causar menor impacto ambiental.

Resta saber se 2005 apresenta-se como mais uma oportunidade de colocar em prática o que tanto se discutiu no passado, o óbvio em matéria de transportes que é trazer de volta os excluídos do sistema e atrair os que ainda renegam um meio que pode ser eficiente e que não prejudique o meio ambiente de nossas urbes ou se a regra arcaica ainda prevalecerá. Será que esse bilhete ao futuro será aceito pelas catracas dos condutores públicos?